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O telecista e a política

Novamente nos encontramos em ano de eleições municipais. Ano em que devemos escolher os representantes do governo mais próximos de nós, que são o prefeito e os vereadores. Aqueles que deveriam, realmente, nos representar: as nossas vontades, as nossas opiniões e defender nossos direitos.

E, como em todo ano de eleições, volta a pergunta sobre qual a posição dos católicos, da igreja e dos movimentos e pastorais em relação à política e aos candidatos.

Nós, do TLC de Avaré, seguimos o princípio do líder cristão, que é ser realmente agente de transformação no mundo, não só como Mensageiros do Evangelho, mas também atuando em diversas áreas da sociedade, entre elas a política.

Posição aliás, não nossa, mas sim da Igreja Católica, como podemos observar em diversos documentos da Igreja:

O Concílio Vaticano II declara na “Gaudium et Spes”:
“Lembrem-se, portanto, todos os cidadãos ao mesmo tempo do direito e do dever de usar livremente seu voto para promover o bem comum. A Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública a serviço dos homens e assumem os trabalhos deste cargo” (GS 75).

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) insiste:
CIC §899 – “A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar as realidades sociais, políticas e econômicas com as exigências da doutrina e da vida cristãs. Esta iniciativa é um elemento normal da vida da Igreja”.

CIC §2442 – “Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos. A ação social pode implicar uma pluralidade de caminhos concretos. Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos “animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça”.

Demonstrada também em diversos posicionamentos da CNBB (Conselho Nacional dos Bispos do Brasil), como o nosso Arcebispo já colocou algumas vezes, inclusive em cursos do TLC.

Infelizmente criou-se entre nós católicos uma cultura perigosa de se afastar da política por ela ser exercida, muitas vezes, por corruptos e imorais. Ora, sabemos que há a boa política e também a politicagem; o político e o politiqueiro. Não podemos queimar a política por causa da politicagem, temos que afastá-los do poder por meio do voto. A Igreja insiste na participação dos fiéis na política.

Temos que oferecer alternativas que julguemos mais merecedoras do nosso voto, nos inspirem confiança e que nos representem. Portanto, é de se esperar e se deseja que cada vez mais leigos católicos se apresentem como candidatos, não para defender os grupos dos quais fazemos parte ou a interesses desta ou daquela pastoral/movimento, mas sim, é o que se espera, sejam pessoas que lutem e prezem pelo bem da população como um todo.

Situação essa que traz à tona outra questão: leigos ativos em suas pastorais/movimentos devem ter cuidado de não fazer uso da “máquina” para auto-promoção, por outro lado não podemos excluí-los de suas atividades paroquiais apenas porque são candidatos. Também devemos estar atentos e saber separar aqueles que sempre tiveram uma vida ativa dentro da Igreja daqueles que se passarão por “filho pródigo” para uma aproximação em momento conveniente.

Para evitar maiores polêmicas e defender verdadeiramente a democracia dentro do nosso movimento, o TLC de Avaré decidiu, em reunião do subsecretariado, do dia 17 de fevereiro de 2012, que não apoiará formal ou informalmente nenhum candidato a vereador ou a prefeito nessas eleições.
Isso não impede, pelo contrário, dá mais liberdade para que todos da coordenação ou membros ativos do TLC divulguem explicitamente seu apoio a quaisquer candidatos, telecistas ou não, católicos ou não. Mas será sempre um apoio pessoal e não do movimento do TLC de Avaré.

Queremos sim, que cada telecista não fique omisso. Que acompanhe de perto as atitudes e o passado de todos os candidatos, para sabermos se eles estão realmente preocupados e agindo conforme nossos anseios. Não repitamos os erros do passado ou troquemos nosso voto por um apoio ou doação ao nosso grupo ou paróquia. Ser cristão ou católico não garante que fulano seja um bom candidato. Deveria garantir que honestidade e caráter, mas às vezes nem isso. Do mesmo modo, o fato, por si só, de certa pessoa ser atuante na igreja, seja no TLC ou em outro movimento, também não é garantia de idoneidade ou competência.

Fique esperto, pesquise, pergunte, saiba escolher. Só não fique indiferente.

Alexandre Custódio

Presidente do subsecretariado do TLC de Avaré

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